Eixo 3

Tecnologias de humanização da gestão e da atenção no SUS



O 2º Seminário Nacional de Humanização foi também um espaço de compartilhamento e análise de experiências de humanização em curso na rede SUS. A organização desta experimentação compartilhada ocorreu pela construção de eixos temáticos, que corresponderam às diversas tecnologias de humanização que emergem desde as diretrizes da PNH.

Foram considerados 13 grandes temas, a saber:

• Grupo de Trabalho de Humanização (GTH);
• Câmara Técnica de e Humanização (CTH), Fóruns de Humanização;
• Estratégias de Gestão colegiada e participativa: Colegiado Gestor, Contrato de Gestão e Apoio Institucional;
• Sistemas de escuta qualificada para usuários e trabalhadores da saúde: gerência de “porta aberta”;
• Ouvidorias; pesquisas de satisfação, etc;
• Projeto Terapêutico Singular e Projeto de Saúde Coletiva;
• Equipe de Referência e de Apoio Matricial;
• Visita Aberta e direito à acompanhante;
• Acolhimento com Avaliação de Vulnerabilidade e Risco;
• Programa de Formação em Saúde do trabalhador (PFST);
• Comunidade Ampliada de Pesquisa (CAP);
• Cuidando dos cuidadores;
• Rede de Comunicação; Projeto Memória do SUS que dá certo;
• Processos e atividades de formação de apoiadores;
• A arte e a cultura na produção de saúde;
• Projetos co-geridos de Ambiência;
• Participação cidadã: carta do direito dos usuários; os conselhos de saúde;
• Grupos de usuários organizados.

Deste temas foram organizados três grandes atividades:

1) Apresentação de trabalhos na forma de pôsteres, os quais foram visitados, comentados, discutidos pelo público do seminário que pode, ainda, escolher por meio de votação aqueles que melhor expressaram, em sua avaliação, a PNH;

2) Apresentação em salas de discussões dos pôsteres mais votados, a partir do que os demais trabalhos puderam ser também discutidos; e

3) Indicação pelas redes de humanização do SUS de experiências de humanização em curso em instâncias de gestão e serviços de saúde, que foram convidadas para serem discutidas em grandes rodas de conversa.

As tecnologias de humanização correspondem a experimentações práticas do método, diretrizes e dispositivos da humanização, que ganham efeito concreto como práticas de saúde em serviços de saúde e outros espaços da vida social e política.Tecnologias são saberes e práticas que experimentados desde o modo de fazer inclusivo, então o “modo PNH” de lidar com problemas e conflitos do cotidiano, têm potência para produção de mudanças na direção da afirmação da saúde como direito do cidadão, bem como, da aposta nas práticas de saúde como espaço de valorização e satisfação do trabalhador da saúde.

Tecnologias são, portanto, modos de experimentação dos princípios filosóficos e conceituais da humanização e, por isto, assumem variações tanto nas formas como nas denominações, pois derivam daquilo que os coletivos já acumularam e das singularidades dos contextos políticos e institucionais.

Dessa forma, a perspectiva narrativa e de discussão das tecnologias de humanização deve considerar tanto a riqueza das narrativas que consideram os processos de feitura e seus resultados, como a diversidade de denominações, pois elas expressam os distintos sentidos que as experiências alcançam nas práticas cotidianas dos sujeitos.

Assim, as expressões construídas para tornar dizível uma experiência muitas vezes não tomam o sentido usual dos termos, pois eles ultrapassam estas significações, colocando-as em relação às singularidades dos processos.

Esta diversidade do dizível, que expressa distintos sentidos construídos pelos coletivos desde suas experimentações, é uma especificidade que emana do termo humanização, polissêmico e carregado de significados culturais, ideológicos e políticos. Assim, se faz necessário que as tecnologias de humanização sejam argüidas para além do dito, do narrado, indo-se na direção da identificação dos elementos que fundam estas práticas, as quais podem estar mais ou menos aproximadas da base ético-política da PNH.

O 2º SNH mostrou esta diversidade, que é bem-vinda, pois expressa a riqueza dos processos singulares e da heterogeneidade que é o SUS, uma “usina ininterrupta e incessante” de produção de inovações.

 
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