Conferência do Sr. Gastão Wagner de Sousa Campos:
Respeitável público! Só pode ser.
Para onde olho? Para cá?
Esse é o problema da vida, sempre temos que dar as costas para alguém. Não tem jeito.
Quero começar agradecendo esse convite para participar desse Segundo Seminário do Humaniza SUS. Particularmente, eu queria muito agradecer por estar aqui nessa hora. Deu um branco total! Preparei tudo, mas esqueci e não sei o que vou falar.
Tenho que enrolar vocês durante algumas horas. Vocês sabem aquela piada do goiano? (Risos.) Eu queria agradecer muito. De fato, há alguns momentos na vida da gente que são mais importantes do que os outros.
Minha vida, felizmente, tem tantos momentos importantes que é quase a vida inteira, mas esse momento é muito importante na minha vida.
Por tudo! Que vocês sabem e eu não preciso falar. Isso que o Dario disse de conseguirmos montar tudo isso e... Eu queria começar fazendo um agradecimento importante a toda a equipe que me convidou para estar aqui. Agradeço os organizadores.
Faço uma saudação e um reconhecimento de todo esforço, de toda militância. Inclusive, o primeiro tema sobre o qual quero começar a falar sobre trabalho é a militância. Quero fazer uma homenagem a todos os seres humanos brasileiros que ao longo de 30, 40 anos vêm se esforçando em defender a vida das pessoas, a saúde.
Dentro desse caudal, desse rio imenso, com certeza, estão os ativadores, os apoiadores do Humaniza SUS. Quero saudar todos vocês, mas quero fazer uma referência a Regina Benevides, ao Adailton de Almeida e ao Dario. (Palmas.) Também quero fazer uma homenagem aos antecessores.
Quando criamos a política de humanização, havia um programa de humanização de hospitais, com perspectiva mais restrita, mas que de certa maneira também fez parte da nossa árvore, da nossa construção. Ninguém escreve a história a partir do zero. Mudamos muita coisa, mas devemos à equipe de psicanalistas, psicólogos.
O povo psique tratava pelo Brasil afora, tentando humanizar os hospitais de forma muito lateral, muito isolada, mas já vinham trabalhando sob a coordenação da Dra. Eliana Ribas. É isso.
Acho que valeu a pena o esforço. Como o Eduardo Passos colocou ontem, o Humaniza SUS tem conseguido. É um espaço estatal, é um espaço de governo, é uma política estatal do SUS, do Ministério da Saúde, mas que se tornou híbrida misturada com o espaço de militância que nem o Dario, a Regina Benevides, o ministro e eu conseguimos controlar.
E essa é a idéia mesmo, que isso seja apropriado, que a extensão seja dissolvida pela incorporação da militância.
Vou falar sobre trabalho em saúde hoje, a reorganização do trabalho em saúde. Vou falar para vocês que trabalhar em saúde hoje, diretamente, atendendo a pacientes, a comunidades, com clínica, com saúde coletiva ou na gestão, como o Humaniza SUS faz, como vários de nós fazemos, a gente tem conseguido ao longo desses anos criar uma nova forma de militância.
Só um parêntese, hoje, pensei em funcionar como espelho de vocês, em cumprir a função de espelho, que é falar sobre o que vocês já sabem.
Quando a gente olha no espelho a gente vê a imagem da gente, mas isso pode nos ajudar a refletir de uma forma narcisista.
Vocês vão olhar para mim e pensar que o povo do Humaniza SUS é o melhor do mundo, é o mais generoso, o mais solidário, o mais militante, o mais perseguido, o mais sofrido, mas como sou um espelho especial, eu sou igual ao espelho da madrasta da Branca de Neve, eu vou dizer: “Não! Mais ou menos! Não é bem assim!” É a idéia de fazer uma reflexão sobre a nossa trajetória, fazer uma narrativa sobre o nosso território de forma crítica e depois a gente continua essa conversa pela roda.
Inventamos, ao longo desse tempo, uma nova forma de militância em vários sentidos.
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